Crítica –  Gabriel Sater e Marcelo Loureiro na melhor noite musical do Festival

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Crítica –  Gabriel Sater e Marcelo Loureiro na melhor noite musical do Festival

Gabriel Sater e Marcelo Loureiro encantaram na que foi a melhor noite musicalmente do Festival. (Fotos: Aurélio Vinícios)

Iniciando o texto sobre a última noite musical do Festival de Inverno de Bonito lembrei da frase de Emily Dickinson, que disse: “A esperança tem asas. Faz a alma voar. Canta a melodia mesmo sem saber a letra. E nunca desiste. Nunca!”. Pois é, após três dias onde se apresentaram grandes nomes como Dino Rocha, a dupla Jads e Jadson, Marina Peralta, Tetê Espíndola, Alzira E, Beth e Betinha, a despedida no palco principal estava programada para o mais puro e suave som regional do Mato Grosso do Sul, com  Gabriel Sater e Marcelo Loureiro que selaram como a melhor noite musical do Festival.

Talvez por ser o último dia, o público foi o menor, no entanto considerei o melhor musicalmente. Primeiro pela surpresa agradável e até então não divulgada do show com artistas de Bonito intitulado “Canta Bonito”. Não imaginava que a pequena cidade turística tinha tantos músicos e cantores de qualidade. Dois deles eu já conhecia, Kalu Karvalho e Morgana Zhen que mostraram muita qualidade musicalmente e sintonia com a banda de apoio formada pelos músicos Josimar Trindade, Giovan Coutinho, Eduan Coelho, Paulo Henrique, Jefferson Jacques e João Manoel.

Mas estiveram também e surpreendendo muito a dupla Isac e Vinícius, Alexandre Xavier, Mariel Flores, Vitório, Álvaro Cavalheiro, Douglas Penha, Thiago Perez e a jovem Dani Lima de apenas 18 anos que estava emocionada, pois era sua primeira vez que estava cantando em um palco para um grande público. Surpresa mesmo!  Veio na lembrança  dos tempos do “Prata da Casa” que  há muitos anos ocorreu no Teatro Glauce Rocha e surgiram os grandes nomes da nossa música sul-mato-grossense. Ao final quando cantaram juntos: “Comitiva Esperança” música e letra dos maravilhosos Almir Sater e Paulo Simões (aliás, senti falta de Simões no evento).  O show dos artistas de Bonito marcou para todos, principalmente aos familiares quer estavam torcendo por eles.

Gabriel Sater entrou ao palco para apresentar o seu trabalho fantástico chamado “Indomável”, acompanhado por uma banda com violão, sanfona, violino e bateria. Iniciava assim um show marcante com um instrumental lindo. “Indomável”, uma canção  belíssima  que conquistou todo o público já de início. “A saudade é uma estrada longa”, de Almir Sater e Paulo Simões já demonstrava a qualidade musical que seria o show. “Amanheceu peguei a viola”, (Renato Teixeira), “Rio de Piracicaba” (Tião Carreiro e Pardinho), “Vida Cigana” (Geraldo Espíndola) e foi depois mostrando o seu belo trabalho com canções marcantes e também de outros trabalhos que gravou em sua carreira.

E o “Indomável” Gabriel Sater prosseguiu com seu show perfeito e canções especiais e participações como a do grande música, cantor e compositor Guga Borba e da agradável voz de Thamires Tannous. “Nas Montanhas de Minas”, “Boca do Mato”, “Agridoce”, “Quero ou Não Quero”, “Aonde Você For”, “Vida Bela Vida” do grande Guilherme Rondon e Paulo Simões, “Cabelos de Fogo”, “Condor Peregrino”, “Ciranda”, “Lembranças Demais”, “Um Novo Amanhecer Agora” e  “Meu Lugar” completaram um espetáculo que mostrou claramente que Gabriel tem sua identidade e não necessita ser anunciado no Festival de Bonito, como “o filho de Almir Sater”. As pessoas têm que ter um pouco mais de sensibilidade. Gabriel tem seu trabalho singular e pronto. Não vamos mais rotular esse grande artista como filho de um artista consagrado. Ele é simplesmente Gabriel Sater – um grande artista e demonstrou isso em Bonito.

Por fim, a última apresentação ficou por conta da música regional e fronteiriça de Marcelo Loureiro. Mesmo com a noite muito fria e já por volta das 23 horas, ele entrou ao palco já para mostrar porque merecia estar ali. De início, com seu violão mágico tocou a conhecida “Merceditas” de Ramón Ríos animando ainda mais a todos. Mas a apresentação de Loureiro foi diferenciada.  Contou sua história de como tudo começou com a música aos 10 anos de idade na pequena Guia Lopes da Laguna (MS). Da insistência dele com seu pai para tocar harpa e do carinho com seus avós. Homenageou o avô com o tango “Por Uma Cabeza”, de Carlos Gardel e Alfredo Le Pera. Uma apresentação maravilhosa.

Esteve acompanhado por Chicão Castro , Caio Nascimento e Vinicius Pereira. O belo chamamé “Linda” do compositor de três-lagoense Brancão animou mais ainda o público que se sentiu em um verdadeiro baile. Vieram as polcas, e o clássico “Esperanza Mia”, (Demetrio Ortiz), e tocou no violão “Luzeiro”, de Almir Sater, música de abertura do Globo Rural. Daí para frente foi a vez de tocar harpa com “Cascada”, de Digno Garcia e “Colorado”, eternizada com Luis Alberto Del Paraná y Los Paraguayos. Uma canção que Loureiro disse que sua avó não gostava pois admira o partido opositor, o Liberal. Por fim encerrou a noite já por volta da meia noite e meia com “Pajaro Campana”, de Eduardo Rayo e Carlos Talavera. Uma noite que sem dúvida ficará marcada como a melhor dos dias de programação musical do Festival de Inverno de Bonito, justamente som regional e fronteiriço que tanto amamos! Como disse lá em cima sobre a frase de Emily Dickinson: “A esperança tem asas. Faz a alma voar. Canta a melodia mesmo sem saber a letra. E nunca desiste. Nunca”.

 

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