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Crítica – O lado “bom e o ruim” do polêmico Festival de Inverno de Bonito 2017

Festival de Inverno com a participação popular ocorreu no CMU. (Foto; Aurélio Vinicius)

A palavra “FESTIVAL” vem de festa, celebração. Onde pode haver música, dança, teatro, poesia, palestras, entretenimento e integração em geral com a comunidade. Porém percebi que havia dois “festivais”: uma para a elite e turistas – puramente comercial (Praça da Liberdade) e outro para a população (Centro Múltiplo de Uso) – local onde crianças e suas famílias puderam participar de oficinas, palestras, brincadeiras (atividades recreativas) e até mesmo mostrar seus talentos artísticos.

Comentar o que ocorreu de bom e ruim no polêmico (começou sobre a questão dos sertanejos na programação) Festival de Inverno 2017 no município de Bonito (MS), que completou a maioridade não é tão complicado assim. São 18 anos de um evento que talvez pelas mudanças de governo e nas direções nos órgãos culturais, persiste em ser adolescente em certos pontos. O fato é que Festival de Inverno de Bonito teve muita coisa boa e outras ruins que poderão ser revistas, principalmente no que diz respeito a organização geral do evento. Pessoas responsáveis por alguns setores mostraram-se incapazes de solucionar questões básicas, como por exemplo: esclarecer pequenas dúvidas dos participantes ou mesmo do turista.

 Percebi que muitos funcionários públicos que foram escalados para trabalhar, fizeram apenas turismo e beberam muito em horário de “trabalho” (muitas caixas de cervejas em locais estratégicos e só alguns deles tinham acesso). Nada contra a pessoa beber, fumar, extravasar ou “despirocar” no sentido da palavra. Mas que seja após o trabalho realizado. Difícil organizar um festival? Com certeza. Muito mesmo, principalmente quando é feito pelo poder público e ter que aceitar os “pedidos” de políticos para colocar parentes e amigos na “festa”. E aí não tem jeito, tem que atender as tais “solicitações” que acabam quase que estragando sempre um evento de grande porte. Assim ficam aqueles que trabalham muito e os outros que não fazem absolutamente nada, vão apenas para se divertir.

Poderia apontar ponto por ponto, mas com certeza o texto ficaria enorme. Mas alguns devem ser ressaltados. No primeiro dia foi um desencontro total. Ninguém sabia praticamente de nada, mesmo com uma “Central do Festival” para orientar as pessoas que estavam chegando. Problemas de instalação das pessoas nos hotéis, nomes errados e motoristas contratados desorientados (não sabiam direito aonde eram os hotéis e pousadas que ficariam os hóspedes). O jeito foi perguntar para a população local. Não havia um roteiro claro – e nesse caso poderia até mesmo colocar a maioria dos passageiros que ficaria em um hotel ou pousada específica, em cada ônibus e pronto, resolveria o problema. Mas não, nos ônibus cedidos para transportar artistas, funcionários e convidados em geral, em cada um havia até 8 (oito) hotéis diferentes para desembarque de pessoas – então foi aquela confusão. Um desastre neste ponto.

Sobre a programação musical do palco principal. O único erro grave foi sobre a contratação da rapper curitibana “Karol Conka”. Ela pode até ter 7 milhões de seguidores no seu canal de youtube (eu não a sigo), mas estava totalmente fora da “casinha”.  Dinheiro público jogado fora, pois com o cachê dela, em torno de R$ 60 mil, poderia trazer vários outros artistas locais e que levam um grande público e diferenciado. Aí vão dizer: “Ah, mas a noite tinha Marina Peralta com o reggae. Quem poderia dar a sequencia da noite? Respondo… Há muita gente boa em Campo Grande e no interior do Estado. Até mesmo o grupo de artistas de Bonito que realizou o “Canta Bonito” no último dia do evento. Esse pessoal poderia abrir o show de Marina Peralta e com certeza seria muito mais interessante e totalmente regional. Evitaria assim prejudicar apresentação tardia dos shows do grande Gabriel Sater e do excepcional Marcelo Loureiro marcada para às 20 e 21 horas, e cada um teve um atraso de pelo menos 1 hora e meia. Quanto aos cachês pagos para os artistas, isso é tema para outra discussão.

O Festival na realidade continuou com vários erros na organização no segundo dia, mas desta vez, diminuiu um pouco. Mas não se pode dizer por aí que foi um dos piores realizados e muito menos o “melhor” como ouvi falar entre os próprios organizadores. Superou dificuldades sim e outras com certeza deverão ser sanadas nos próximos, principalmente no de Corumbá que será em novembro. Problemas de som (pra variar) tanto no palco principal como no Centro de Múltiplo Uso (CMU), onde outros artistas regionais se apresentaram (vai aí um alerta para a equipe operacional responsável). Pior, justamente ali que foi para mim, o evento de todos, da população participante, o verdadeiro Festival de Inverno. Deveria sim, ter uma melhor estrutura no local. As atividades foram pontuais. Os moradores puderam participar de oficinas, assistir show de música, teatro, poesia, dança entre outras atividades. Ocorreram erros? Sim, principalmente da mudança importuna dos horários dos eventos programados. Espero que não ocorra mais e essa semente plantada, dê continuidade pelo município, que para espanto meu, não tem ainda uma Secretaria de Cultura.

Devemos ressaltar também coisas boas. A Segurança estava perfeita. Policiais em todos os cantos. Banheiros químicos distribuídos e próximos ao local. Não há do que reclamar do atendimento à imprensa. Excelente e bem orientado através de uma central de jornalismo, contatos telefônicos e pautas. Ressalto mais uma vez o belo exemplo dado pela TV Educativa com seus profissionais. Guerreiros e lutadores. A equipe de Comunicação do evento por sua vez mostrou-se capaz através de um trabalho muito difícil. A organização do Festival apostou no grande número de atividades culturais em poucos dias. Isso deve ser repensado, pois foi difícil participar de todos. Acredito que se não tivessem tantas, certamente a população poderia participar mais. Algumas estavam completamente vazias e outras lotadas. A decoração da Praça da Liberdade, perfeita e vale elogios aos profissionais, no entanto faltou no CMU.

Os espaços dos estandes foram pequenos para alguns que tiveram muitas visitações (artesanato) e grandes para outros que praticamente não teve público. Necessário sim,  coerência nesse ponto. Interessante às intervenções culturais, como das Drag Queens na entrega de materiais como preservativos, lubrificantes e panfletos sobre DST-HIV-AIDS. No entanto, deveria ter os funcionários da Secretaria de Saúde para dar uma orientação mais específica sobre o assuntos, o que não correu. O Espaço Economia Criativa também foi muito interessante, como o da Memória Fonográfica de MS, das Artes Visuais, Educação, Saberes Indígenas e Cultura da Infância.

Deu para perceber que vários erros eram sanados após as visitas constantes do próprio Secretário de Cultura Athayde Neri e do Coordenador geral, Tomáz Ramos. Eles observavam os problemas e passavam as orientações para alguns assessores e assistentes. Caso contrário, nenhuma iniciativa positiva era tomada. Aí voltamos para aquele velho assunto: “quando há gente demais na organização, muitos trabalham de menos”. Se cortassem pelo menos 30 por cento desses “funcionários”, com certeza os erros seriam menores.  Que os próximos grandes eventos sejam amplamente planejados com antecedência, e até repensar a necessidade de concentrar o evento em um local apenas, no Centro Múltiplo Uso que é um espaço muito interessante.  Que todos tenham consciência da verdadeira importância do Festival de Bonito para a comunidade em geral que é carente de atividades culturais.

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