Crítica – Samba do Sampri brilha, emociona e mostra qualidade irreparável

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Crítica – Samba do Sampri brilha, emociona e mostra qualidade irreparável

Sampri fez um show maravilhoso no Sesc Morada dos Baís. (Foto: AF)

O grande sambista Cartola já dizia: “A sorrir eu pretendo levar a vida”. Essa frase mostra um pouco o que foi o show das meninas do “Sampri” realizado último sábado (2), justamente no Dia Nacional do Samba no Sesc Morada dos Baís. Apesar delas tocarem há muito tempo no Mato Grosso do Sul, pela primeira vez fui comprovar o que muitos já diziam sobre as irmãs Renatinha, Magally e Luciana. Com a casa lotada, a expectativa era de um grande espetáculo que estava por vir.

Pontualmente às 20 horas, elas subiram ao palco, acompanhadas dos músicos Marcelo Santos, Adriano Coelho e Cristiano Duarte. De início o que pude notar claramente é o comportamento profissional de todos, principalmente pelo figurino usado. Essa preocupação é de fundamental importância, pois infelizmente a maioria dos grupos de samba ou pagode em Mato Grosso do Sul se apresentam como estivessem tocando em “boteco de esquina” ou acampamento em um rio no fim de semana. Não existe essa visão, pois se nota artistas de camisetas, bermudas e tênis. Ao contrário do pessoal do Sampri: as meninas e os músicos todos impecáveis como todo artista profissional deve se apresentar.

No repertório, clássicos do samba, de compositores atuais e que não perderam a essência do bom samba. O show começou com “O Que é Que a Baiana Tem”, de Dorival Caymmi e eternizada por Carmem Miranda. Seguindo de “Samba da Minha Terra”, “Você Foi à Bahia” e a tradicional “Marinheiro Só”, canção de domínio público, mas com adaptação de Caetano Veloso. Aí deram o cartão de apresentação com outras belas músicas: “Tiro ao Álvaro”, de Adorinan Barbosa e seguindo de “Alguém Me Avisou” e “Lenda Sereias”.

O diferencial das três “sampris” é claro. Renatinha (violão e voz) tem uma voz linda e afinadíssima. Presença de palco digna de uma profissional. Carismática e se incorpora em todas as canções, com gestos, sentimento de amor pelo samba. Magally (pandeiro e voz), me surpreendeu pela tonalidade forte e segura de sua voz. Comparar a voz de sua irmã Renatinha seria uma injustiça, pois as duas são diferenciadas e maravilhosas. Luciana (cavaquinho e voz), a mais tímida no palco, mas com um talento extraordinário tocando cavaco e cantando com maestria quando era necessário cantar em conjunto. Três artistas que se completam. Mas também temos que valorizar os músicos que estiveram na tal “cozinha”. Sem dúvida, excelentes e que em momento algum atrapalharam com um som mais alto dos instrumentos (como ocorre sempre em grupos de samba no Estado). Marcelo Santos, Adriano Coelho e Cristiano Duarte são músicos de primeira linda – metais e percussão em “fino trato”.

O show prosseguiu com mais outras lindas canções, como “Sangrando” de Gonzaguinha, “Dança Solidão”, Paulinho da Viola e “Disritmia”, Martinho da Vila. Essa sequencia é de quem realmente entende de música. Teve outras belas como “Mar Serenou” e “Canto da Sereia” eternizada por Clara Nunes. Passearam por canções conhecidas como “Deixa eu Te Ama”, “Mulheres”, “Retalhos”, “Voz do Morro”, chegando ao grande Cartola com “Mundo É Um Moinho” e “As Rosas não falam”. Lembraram de Sandra de Sá com “Olhos Coloridos” e chamaram os santos do candomblé com “Deusa Orixás” e “É D’Oxum”. Cantaram Raça Negra, “Cheia de Manias”. Gostei da canção autoral, se não me falha a memória intitulada “Samba de Roda” e que mostra o talento de Renatinha Sampri. Deveria investir mais nesse trabalho.

Ao todo foram duas horas ininterruptas de show. O público ovacionou o “Sampri” que encerrou a apresentação com “É”, “O Que É o Que É”, de Gonzaguinha.  Terminou a festa com “Vou Festejar”, da eterna Beth Carvalho. Quem assistiu esse grande show, sem dúvida amou. Profissionalismo, repertório escolhido “a dedo” e principalmente uma atenção linda com o público. Pacientes ela tiraram fotos com todos que insistentemente pediam. Sampri mostrou que sem dúvida alguma é o melhor grupo de Sampa do Mato Grosso do Sul e que não perde para nenhum outro de sucesso nacional. O que falta apenas é investir no trabalho autoral, que sem dúvida vai brilhar pelo Brasil a fora. Amei !

4 Comentários

  1. Alex Fraga disse:

    Sim. Elas são maravilhosas!

  2. Alex Fraga disse:

    Vcs merecem. São excelentes !

  3. Raquel Anderson disse:

    Sampri é sensacional! Profissionalismo, talento e repertório de altíssimo nível os define! Parabéns pelo belo trabalho! 🌹❤

  4. Magally Sampri disse:

    Obrigada Alex. Nossa, que honra ter um texto tão expressivo sobre nossa banda. Ficamos muito contentes e emocionadas com suas palavras. 👏👏👏😀

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