Evento – Sociólogo Jessé Souza ministra palestra nesta segunda-feira na Câmara

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Evento – Sociólogo Jessé Souza ministra palestra nesta segunda-feira na Câmara

Sociólogo Jesse de Souza minisitra palestra na Capital nesta segunda-feira

A formação do Brasil e a cultura do privilégio é tema do Diálogos Contemporâneos, nesta segunda-feira (16), no Plenário da Câmara Municipal de Campo Grade, a partir das 19 horas. Autor da polêmica obra “A elite do atraso – Da escravidão à Lava Jato”, o sociólogo Jessé Souza é o quarto palestrante dos Diálogos Contemporâneos que acontecerá na próxima segunda-feira no Plenário da Câmara Municipal.

Doutor em sociologia pela Universidade de Heidelberg (Alemanha) e professor da UFABC, o próximo convidado dos Diálogos Contemporâneos, Jessé Souza, é autor de 27 livros, incluindo A ralé brasileira: quem é e como vive; A tolice da inteligência brasileira e A radiografia do golpe. Através da sua extensa literatura, ele propõe fazer o que nenhum intelectual da esquerda jamais fez: explicar o Brasil desde o ano zero. Isso, segundo ele, é porque se ideias antigas nos legaram o tema da corrupção como grande problema nacional, só mesmo novas concepções sobre o país e seu povo poderiam explicar, de uma vez por todas, que as raízes da desigualdade brasileira não estão na herança de um Estado corrupto, mas na escravidão.

Nesta linha de pensamento, o tema da palestra de Jessé de Souza não poderia ser mais apropriado: “A Formação do Brasil: do descobrimento aos tempos atuais. A Herança cartorial, o patrimonialismo e as culturas de privilégio”. O Brasil, segundo o sociólogo, passa por um momento histórico regressivo, com influência importante da mídia tradicional no processo. No livro “A elite do atraso…”, ele chama a atenção para a existência de uma interpretação dominante sobre o Brasil, e aponta os motivos pelos quais a sociedade brasileira em 2018 não passa de uma continuidade da sociedade escravocrata de 500 anos atrás.

Confrontando uma das principais obras do pensamento social brasileiro, Raízes do Brasil (1936), de Sérgio Buarque de Holanda – responsável por utilizar pela primeira vez a ideia de patrimonialismo para definir a política nacional. Jessé compreende que o conceito – segundo o qual o Estado brasileiro seria uma extensão do “homem cordial” que não vê distinções entre público e privado – serve para legitimar interesses econômicos de uma elite que manda no mercado, este sim a real fonte de corrupção e poder.

Sem meias palavras, Jessé de Souza faz crítica contundente à falta de pensamento crítico e a tendência ao autoritarismo vigente: “Os seres

humanos precisam ter ideias, sem ideias não dá para ir a lugar algum”. Sem isto, segundo ele, corre-se o risco desta sociedade ainda pior. “A gente pode chegar a formas fascistas, mas o que a elite quer é dinheiro, se for por uma ditadura militar, se for matando gente, não tem nenhuma importância. Fato é que nesse instante de crise estamos com as vísceras à mostra e isso é uma oportunidade de vermos a podridão desse esquema que foi montado por essa elite usando e imbecilizando não só a classe média, e retirando a possibilidade de levarmos a vida de modo reflexivo. O que esse pessoal nos tirou foi a possibilidade de aprendizado da sociedade brasileira baseado na reflexão. E isso é impagável”.

Para quem quer se aprofundar no pensamento deste importante sociólogo e aprender um pouco mais do Brasil, vale a pena participar da palestra/debate da próxima segunda-feira. Lembrando que os ingressos são gratuitos e devem ser retirados no local.

 

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